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Tipos de eventos científicos: congresso, simpósio, jornada e mais
· Fabiano Sant'Ana
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Congresso, simpósio, jornada, colóquio, seminário, workshop: o que muda em duração, formato, quem organiza e se gera anais. Tabela comparativa e como escolher.
Em resumo
Congresso costuma reunir uma comunidade ampla e várias atividades; simpósio concentra-se em um tema; jornada reúne uma comunidade ou especialidade; colóquio privilegia a discussão. Esses nomes variam entre áreas e instituições: não determinam sozinhos o porte ou a duração. Palestras, mesas-redondas, minicursos e workshops podem integrar um congresso ou ter organização própria; o pôster é uma modalidade de apresentação. Para escolher, compare público, objetivo, dinâmica e o registro que se pretende publicar. Anais dependem da chamada de trabalhos e da política editorial do evento.
Congresso reúne uma comunidade ampla; simpósio concentra-se em um tema; jornada reúne uma comunidade ou especialidade; colóquio privilegia a discussão. Compare quatro eixos: porte, escopo, dinâmica e registro que fica depois. Os nomes variam entre áreas e instituições. Palestras, mesas-redondas, minicursos e workshops podem integrar um evento maior ou ter organização própria; o pôster é uma modalidade de apresentação.
Use a tabela para comparar os formatos e os links da primeira coluna para ir à definição de cada um. As seções trazem exemplos de anais publicados na Galoá e decisões práticas para a organização.
Como escolher o formato do evento científico?
As classificações variam conforme a área e a instituição. A tabela de eventos de extensão da UNIFAL-MG, por exemplo, reserva “congresso” para o evento de grandes proporções, de 3 a 7 dias, e agrupa encontro, simpósio, jornada, colóquio e fórum numa categoria de médio porte, de algumas horas a 1 ou 2 dias.1 O Guia de Eventos da UFSM define cada um separadamente, pela dinâmica.2 Para registrar uma atividade na sua instituição, confira a classificação adotada por ela.
Por isso a pergunta útil não é “como se chama”, e sim “o que eu quero que aconteça”. Quatro perguntas decidem o formato:
- Quantas pessoas e de quantos lugares? Dezenas de um grupo de pesquisa, centenas de uma região ou milhares de uma sociedade nacional.
- Um tema amplo ou um recorte? Toda a área do conhecimento ou um problema específico dentro dela.
- Apresentar, debater ou praticar? Sessões de trabalhos, debate entre especialistas ou atividade com as mãos na massa.
- O que fica depois? Anais com trabalhos revisados por pares, um relatório ou carta, uma ata, ou nada além dos certificados.
Tabela comparativa dos tipos de eventos científicos. As durações são referências de planejamento, não limites obrigatórios. A publicação de anais depende das atividades e da política editorial. Em telas pequenas, deslize a tabela para consultar as demais colunas; pelo teclado, use as setas com a tabela em foco.
| Tipo | Duração típica | Formato e dinâmica | Quem costuma organizar | Anais e outros registros |
|---|---|---|---|---|
| Congresso | 3 a 7 dias | Conjunto de conferências, mesas, simpósios, sessões de trabalhos e minicursos sob um tema amplo | Sociedade ou associação científica, em edições periódicas | Frequentemente, conforme a chamada de trabalhos |
| Semana | 5 dias, uma semana | Mesma estrutura do congresso, com mais atividades de formação e extensão | Curso, departamento ou centro acadêmico | Quando há trabalhos selecionados para publicação |
| Jornada | 1 a 3 dias | Congresso de menor porte, regional ou de uma subárea, com apresentação de trabalhos | Seção regional de uma sociedade, programa de pós-graduação ou instituto | Sim, com frequência |
| Simpósio | 1 a 3 dias | Especialistas abordam aspectos diferentes de um mesmo tema, com moderador; pode ter chamada de trabalhos | Sociedade científica, grupo de pesquisa ou comissão dentro de um congresso | Quando há trabalhos ou textos selecionados para publicação |
| Conferência | 1 a 2 horas para uma sessão; vários dias quando nomeia o evento | Exposição de convidado ou nome de um encontro completo, conforme o contexto | Comissão organizadora ou instituição | Depende de haver textos ou trabalhos previstos para publicação |
| Colóquio | 1 a 2 dias | Discussão de um recorte, com participação aberta ou por convite | Grupo de pesquisa, departamento ou rede de pesquisadores | Às vezes |
| Workshop ou oficina | Horas a alguns dias, conforme a proposta | Prática orientada; em algumas áreas, encontro de pesquisa com discussão de trabalhos | Especialista, laboratório ou comissão, de forma independente ou dentro de outro evento | Pode ter anais quando aceita trabalhos |
| Minicurso | Algumas horas; confira as regras da instituição | Aulas sobre um tema, dentro da programação de um evento | Comissão do evento, com professor convidado | Em geral, material didático e certificado |
| Seminário | Algumas horas a 2 dias | Exposições orais seguidas de discussão, com tema central dividido em subtemas | Departamento, programa de pós-graduação ou grupo de estudos | Sim, quando há apresentação de trabalhos |
| Sessão de pôsteres | 1 a 2 horas | Cartazes com o resumo da pesquisa, com o autor ao lado para responder perguntas e arguição de avaliadores | Comissão científica do evento | O pôster entra nos anais do evento, se houver |
| Painel | 1 a 2 horas | Debate com moderador; participação do público definida na programação | Comissão organizadora do evento | Pode gerar síntese ou gravação |
| Palestra | 45 a 90 minutos | Exposição de um tema, com perguntas conforme a dinâmica anunciada | Instituição ou comissão | Pode haver texto ou gravação |
| Ciclo de palestras | Semanas ou meses | Série de palestras encadeadas sobre um tema, com especialistas diferentes | Departamento, biblioteca ou grupo de extensão | Raramente |
| Exposição | Dias a semanas | Exibição pública de produtos ou resultados de pesquisa | Museu, instituição ou comissão do evento | Em geral, catálogo; outros registros conforme as atividades |
| Feira | 1 a 3 dias | Estandes com intuito comercial ou de divulgação | Entidade setorial, instituição ou empresa | Catálogo; anais quando houver trabalhos previstos para publicação |
| Fórum | 1 a 2 dias | Debate aberto sobre um problema, com mediadores que provocam opiniões divergentes | Entidade representativa, poder público ou instituição | Raramente (gera carta ou relatório) |
| Assembleia | 1 a 3 horas | Deliberação de delegações ou associados sobre temas da categoria, com votação | Diretoria de uma sociedade ou associação, em geral dentro do congresso | Não (gera ata) |
| Plenária | 1 a 2 horas | Sessão com todos os participantes reunidos, para um único tópico ou para as conferências principais | Comissão organizadora ou diretoria da sociedade | Não (gera ata ou moções) |
Decida a publicação pela proposta científica, não apenas pelo nome ou tamanho do evento. Quando há apresentação de pesquisas, os anais ajudam a preservar e tornar consultável essa produção. Um estudo bibliométrico publicado em 2008 encontrou cerca de 20% de referências a trabalhos de congresso na computação, 10% nas engenharias e aproximadamente 2% no conjunto analisado.3 São resultados históricos, não uma medição atual; mostram por que a política de publicação deve considerar a área.
O que é um congresso científico?
O congresso é o evento de grande porte de uma comunidade científica ou profissional ampla, de âmbito regional, nacional ou internacional, com duração de alguns dias.1 Ele não é uma atividade, é um conjunto delas: conferências, mesas-redondas, simpósios temáticos, sessões de comunicação oral e de pôsteres, minicursos, assembleia dos associados e atividades sociais como coquetel e jantar.
Quem organiza congressos, em regra, são as sociedades e associações científicas, em edições periódicas (anuais ou bienais) sobre um tema “guarda-chuva” que abriga vários eixos temáticos. O congresso costuma ser o principal ponto de encontro da área no ano, e um estudo com doutorandos e pós-doutores de universidades alemãs mostra por quê: as conferências pesam na qualificação de quem está começando e são o espaço em que se fazem contatos, se mantêm os antigos e se iniciam colaborações.4
Exemplo publicado na Galoá: os anais do 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva (Abrascão 2025), organizado pela Abrasco, com mais de sete mil trabalhos distribuídos em comunicações orais, pôsteres e relatos de experiência.
Para organizar: defina os eixos temáticos e, se houver submissões, planeje a chamada, a revisão por pares e os anais junto com o orçamento e a infraestrutura.
O que é uma semana acadêmica?
A semana tem a mesma estrutura de um congresso, mas ocupa uma semana inteira e costuma nascer dentro de um curso, departamento ou centro acadêmico. Em vez de reunir uma sociedade científica nacional, reúne a comunidade de uma instituição: professores, estudantes e egressos, com mais peso para atividades de formação e extensão do que no congresso.
Muitas semanas crescem e passam a abrigar um congresso e um encontro de egressos no mesmo período, com chamada de trabalhos e anais. É o caso dos anais da XX Semana da Educação (2024), que reuniu no mesmo volume a semana, o III Congresso Internacional de Educação e o encontro de egressos do programa de pós-graduação.
Para organizar: decida se haverá submissão e publicação de trabalhos e dimensione a comissão responsável. Planeje também inscrições, acessibilidade e certificação das atividades.
O que é uma jornada científica?
A jornada é um congresso de menor porte: organizada por uma seção regional de uma sociedade, por um programa de pós-graduação ou por um instituto, cobre uma subárea ou uma região e dura de um a três dias.2 As jornadas costumam acontecer em épocas diferentes do congresso nacional da área, para complementá-lo e não competir com ele.
Apesar do porte, a jornada tem apresentação de trabalhos e, com frequência, anais próprios. Exemplo publicado na Galoá: os anais da XIX Jornada Brasileira de Ressonância Magnética (2026), da AUREMN, que na 19ª edição continua reunindo a comunidade de ressonância magnética do país com chamada de trabalhos e anais próprios.
Para organizar: delimite o público e o tema e informe se haverá submissão de trabalhos, sessões de convidados e anais.
O que é um simpósio?
O simpósio é uma reunião de especialistas de um campo específico, científico, técnico ou artístico, para debater um tema delimitado. Cada convidado aborda um aspecto diferente do mesmo tema, com um moderador que controla o tempo e organiza as perguntas da plateia.2 Por ser mais específico que o congresso, um congresso pode abrigar vários simpósios dentro da programação.
O simpósio pode incluir chamada de trabalhos, comunicações orais, pôsteres e anais. Alguns dos maiores eventos do país se chamam simpósio, como o XXI Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto (SBSR 2025), organizado pelo INPE, com mais de mil trabalhos na edição de 2025.
Se você está organizando um simpósio: o nome não limita o porte. Defina o recorte temático com precisão, porque é ele que atrai quem submete trabalho, e decida se as apresentações dos convidados entram nos anais ou só os trabalhos aprovados.
Congresso e conferência são a mesma coisa?
Depende do contexto. Na programação de um congresso, conferência costuma designar a exposição de um convidado, seguida de perguntas. O termo também pode nomear um evento completo: a própria classificação da UNIFAL-MG inclui conferências nacionais entre os eventos de grande porte.1
Em inglês, conference é usado para o encontro completo. Consulte a programação e a chamada para saber a duração, as atividades e os trabalhos aceitos. Veja também como esses nomes funcionam em inglês.
Para organizar: deixe explícito se “conferência” nomeia o encontro inteiro ou uma sessão. Informe se haverá inscrições, submissões e publicação de trabalhos.
O que é um colóquio?
O colóquio privilegia a discussão de um tópico entre especialistas. Pode reunir um grupo por convite ou abrir inscrições e submissões, conforme sua proposta. O nome não estabelece um limite de participantes.
Nada impede que um colóquio cresça e passe a aceitar trabalhos. O Colóquio Luso-Afro-Brasileiro de Questões Curriculares, reunindo pesquisadores de Portugal, Brasil e países africanos de língua portuguesa, publicou seus anais na Galoá com duas centenas de trabalhos.
Para organizar: dimensione as sessões para que haja discussão e informe se a participação será por convite, inscrição aberta ou seleção de trabalhos.
O que é um workshop ou oficina?
Na acepção de oficina, o workshop combina explicação e prática orientada. A UFSM o descreve como um evento de viés prático que também pode integrar a programação de um encontro maior.2
Em algumas áreas, principalmente na computação e nas engenharias, “workshop” também nomeia um evento inteiro, com chamada de trabalhos, revisão por pares e anais, como o II Workshop de Matemática, Estatística e Computação Aplicadas à Indústria (2022). Nesses casos, o workshop funciona como um simpósio de porte menor, e a prática está em discutir problemas ainda abertos.
Para organizar: esclareça se a proposta é uma oficina prática ou um encontro de pesquisa. Na oficina, informe os materiais e conhecimentos necessários; no encontro, as regras de submissão e debate.
O que são os minicursos de um evento?
Minicursos são aulas oferecidas dentro da programação de um congresso ou simpósio, sobre um tema da área, com duração de algumas horas distribuídas pelos dias do evento. Podem ter formato de oficina, misturando teoria e prática, conforme a organização definir. O registro mais comum é o certificado com carga horária; eventual publicação precisa ser prevista pela organização.
Um detalhe que muda a certificação: a UNIFAL-MG, por exemplo, classifica como evento o curso com menos de 8 horas, e exige registro e certificado de curso a partir dessa carga.1 Esse é um critério da instituição citada; confira a regra da instituição responsável pelo seu minicurso.
Para organizar: informe carga horária, pré-requisitos e capacidade de cada turma antes de abrir as inscrições. Planeje o controle de vagas.
O que é um seminário?
O seminário é uma reunião com exposições orais seguidas de discussão. Há um tema central dividido em subtemas, cada um exposto por um membro do grupo, num formato parecido com as sessões de apresentação de trabalhos das disciplinas de pós-graduação.2 Dura de algumas horas a dois dias.1
No calendário das universidades, o seminário aparece com dois sentidos. É a atividade curta de um grupo de pesquisa, e é também o nome de eventos institucionais grandes, com centenas de trabalhos, como o XXXIV Seminário de Iniciação Científica da UEMA (2022), que publicou mais de quinhentos resumos dos bolsistas da universidade. Dentro de congressos e simpósios, o seminário se reconhece nas sessões de comunicação oral, que têm o mesmo formato.
Se você está organizando um seminário: ele se sustenta na discussão que vem depois de cada exposição. Reserve para o debate pelo menos o mesmo tempo da apresentação.
O que é uma sessão de pôsteres?
Na apresentação em pôster, o pesquisador expõe um cartaz com o resumo da pesquisa e fica ao lado dele durante a sessão, para responder às perguntas de quem passa. Em muitos eventos, há também uma arguição de avaliadores da área, que percorrem os pôsteres e dão nota. É o formato que mais aproxima autor e leitor: menos gente ouve, mas cada conversa vai fundo.
O ponto fraco do pôster é o que acontece depois. Um mapeamento em 249 bases de dados mostrou que mais de 99% dos registros de pôsteres de congresso levavam apenas ao título ou ao resumo: o conteúdo é literatura cinzenta, difícil de acessar e de citar depois do evento.7 Publicar o resumo ou o trabalho nos anais, com identificação dos autores, é o que transforma o pôster em produção citável.
Se você está organizando: decida se o pôster entra nos anais em pé de igualdade com a comunicação oral. Na Galoá, os anais registram a categoria de cada trabalho (pôster, oral, trabalho completo), e o pôster tem a mesma página e o mesmo endereço permanente que os demais.
O que é um painel?
O painel reúne especialistas para discutir um tema com moderação. A dinâmica de perguntas deve ser informada na programação: há painéis que incluem a plateia, como os previstos no Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica de 2026.8 Portanto, a ausência de perguntas não é uma distinção universal em relação à mesa-redonda.
“Painel” também aparece como nome de apresentação em cartaz. Para evitar ambiguidade, explique se a atividade será um debate ou uma sessão de pôsteres.
Para organizar: informe participantes, tempo de fala, moderação e como o público poderá enviar perguntas. Use a mesma nomenclatura na chamada e na programação.
Qual a diferença entre palestra e conferência?
Palestra costuma designar uma exposição menos formal; conferência, uma apresentação de destaque na programação. As duas podem admitir perguntas. O momento e a forma de participação dependem da dinâmica definida pela organização.2
Quando há mais de um palestrante, um moderador pode organizar a sequência e as perguntas. Informe a duração de cada fala e se haverá gravação ou texto disponível depois.
Para organizar: escolha o nome coerente com a tradição do evento e destaque tema, convidado e formato de participação.
O que é um ciclo de palestras?
Como o nome diz, é uma série de palestras apresentadas por especialistas no assunto, em sequência, ao longo de semanas ou meses. Diferente do congresso, que concentra tudo em poucos dias, o ciclo espalha as atividades no calendário e costuma ser gratuito e aberto, ligado a departamentos, bibliotecas e programas de extensão.
O ciclo raramente gera anais, porque não há chamada de trabalhos: são convidados falando. O produto costuma ser a gravação das sessões e o certificado de participação.
Se você está organizando: o ciclo funciona quando há um fio condutor entre as palestras. Apresente esse fio condutor e divulgue o calendário completo para facilitar a participação.
O que é uma exposição científica?
A exposição é a exibição pública de um produto ou de resultados de pesquisa com o objetivo de divulgá-los. Pode ter caráter cultural, artístico, científico, industrial ou técnico, e durar de alguns dias a semanas. Nas universidades, aparece como mostra de projetos, exposição de acervo ou apresentação de protótipos durante um congresso.
O catálogo é um registro possível da exposição; a publicação de trabalhos depende de haver uma atividade científica associada.
Se você está organizando uma exposição dentro de um evento: ela compete pela atenção com as sessões de trabalhos. Coloque-a no espaço de circulação, onde o participante passa nos intervalos, e não numa sala que exige escolha.
Qual a diferença entre feira e exposição?
A feira se distingue da exposição pelo intuito comercial: o que se expõe está em estandes, para venda ou para prospecção, lembrando as feiras públicas. Nos eventos científicos, a feira é o espaço dos patrocinadores e expositores, que financiam parte do evento em troca da presença junto ao público.
Uma feira comercial pode gerar catálogo de expositores. Se houver apresentação de pesquisas, a organização deve definir separadamente como os trabalhos serão publicados.
Para organizar: defina o espaço dos expositores no contrato e concilie circulação, acessibilidade e horários com a programação científica.
O que é um fórum?
Os fóruns são encontros menos técnicos, com a intenção de engajar um público em torno de um problema. Os mediadores têm a função de provocar a manifestação de opiniões diferentes, para que da reunião saiam ideias e sugestões para contornar, amenizar ou resolver o problema em debate. Em alguns casos, o fórum é um espaço de conscientização, aberto a quem não é especialista nem autoridade no assunto.
O produto de um fórum é uma carta, uma moção ou um relatório, mais do que anais. Mas o nome também batiza eventos acadêmicos com chamada de trabalhos, como o VIII Fórum Baiano das Licenciaturas em Matemática (2021), realizado junto com o XIX Encontro Baiano de Educação Matemática e com anais publicados na Galoá.
Para organizar: informe como as contribuições serão recolhidas e se haverá carta, relatório ou encaminhamentos ao final.
O que é uma assembleia?
A assembleia é a reunião em que delegações representativas ou os associados de uma entidade deliberam sobre temas de interesse da categoria: eleição da diretoria, prestação de contas, estatuto, sede do próximo congresso. Muitas assembleias acontecem dentro do congresso da sociedade, para aproveitar a presença dos associados no mesmo lugar.
O registro da assembleia é a ata. Para organizar o credenciamento, confira no estatuto e nas regras da entidade quem pode participar e votar; a inscrição no congresso, sozinha, não define esse direito.
Se você está organizando: marque a assembleia num horário sem sessões concorrentes e confirme antes quem tem direito a voto. Assembleia disputando espaço com a sessão de pôsteres esvazia as duas.
O que é uma plenária?
A plenária é a sessão em que todos os participantes do evento estão reunidos, sem atividades paralelas. Tem dois usos. Em reuniões deliberativas, pode reunir o conjunto dos participantes para discutir e votar uma pauta. Nos congressos, “sessão plenária” também nomeia o horário das conferências principais, que a comissão quer que todo mundo assista.
Se há moções ou encaminhamentos, o produto é a ata; se é a conferência de abertura, o produto é a própria programação.
Para organizar: reserve horários sem sessões concorrentes e informe se a plenária terá exposição, debate ou deliberação.
Qual formato escolher para o seu evento?
Use objetivo e dinâmica como ponto de partida e ajuste o porte à sua comunidade:
- Milhares de pessoas, tema amplo, sociedade científica: congresso, com anais, assembleia e simpósios temáticos dentro dele.
- Centenas de pessoas, uma subárea ou uma região: simpósio ou jornada, com chamada de trabalhos e anais.
- Dezenas de especialistas, um problema específico, mais debate que exposição: colóquio ou seminário.
- Prática, com turma pequena: workshop, ou minicurso dentro de um evento maior.
- Debate aberto sobre um problema comum: fórum, com encaminhamentos definidos pela organização.
- Divulgação de produtos ou resultados: exposição ou feira, com atividades científicas quando previstas.
Reserve tempo para a troca entre participantes. Em uma pesquisa com 100 respondentes das edições de 2014 e 2016 do International Marine Conservation Congress, 91% relataram novos contatos úteis, 64% relataram ideias, contatos ou aprendizados que levaram ou poderiam levar a publicações e 36% relataram contatos que resultaram em financiamento.5 São relatos daquela amostra, não uma previsão de resultados para qualquer evento.
Considere também custo, deslocamento e acesso. Um artigo de 2021 discute como mudanças no desenho dos encontros e alternativas online podem ampliar a participação e reduzir barreiras.6
Escolha as etapas de gestão de acordo com a programação. Na plataforma para congressos e simpósios, a Galoá reúne inscrições, submissões, revisão por pares, programação, aplicativo, certificados e publicação de anais com DOI. A plataforma é usada por pesquisadores de mais de 178 países. A Galoá é membro e Sponsor da Crossref desde 2015 e membro institucional da ORCID desde 2025.
Vai pedir fomento para o evento?
Editais como o PAEP da CAPES exigem abrangência nacional ou internacional, e evento considerado local é eliminado. Antes de fechar o formato, vale conferir os nove critérios de avaliação do PAEP 2027, quanto o PAEP paga e os materiais gratuitos sobre fomento a eventos científicos.
Leia mais
- Anais de eventos e proceedings: o que são
- Critérios de avaliação do PAEP 2027: os nove itens e seus pontos
- O que mudou no PAEP 2027 em relação ao PAEP 2026
- Você segue o protocolo de mesa-redonda e mesa de honra no seu evento?
- Como começar o planejamento estratégico do seu evento científico
- Revisão por pares em congressos
- Entrevista: Carlos Vogt e a espiral da cultura científica
Perguntas frequentes
Quais são as 4 fases de um evento?
Uma divisão usada no planejamento é: concepção, pré-evento, evento (ou transevento) e pós-evento. Na concepção se definem objetivo, público, formato, data e orçamento. O pré-evento é a execução do plano: chamada de trabalhos, revisão por pares, inscrições, programação e contratações. O evento é a realização em si, com credenciamento, sessões e certificação. O pós-evento fecha o ciclo: prestação de contas, avaliação com os participantes e publicação dos anais, quando prevista.
Como é composto um congresso?
Um congresso é um conjunto de atividades sob um tema amplo. O núcleo científico é a apresentação dos trabalhos aprovados na chamada, em sessões de comunicação oral e de pôsteres. Em volta dele ficam as conferências e palestras de convidados, as mesas-redondas, os simpósios temáticos, os minicursos e workshops e, nos congressos de sociedades, a assembleia dos associados. Cerimônia de abertura, coquetel e atividades sociais completam a programação.
Qual a diferença entre um congresso e uma conferência?
Congresso costuma reunir várias atividades de uma comunidade científica. Conferência pode ser uma apresentação de convidado dentro da programação ou o nome de um encontro inteiro, inclusive no Brasil. Em inglês, conference é usado para o evento completo. Confira a programação e a chamada de trabalhos para identificar o formato.
Qual é a diferença entre um simpósio e um colóquio?
O simpósio costuma reunir apresentações sobre aspectos de um tema; o colóquio privilegia a discussão. Ambos podem ter inscrições e trabalhos selecionados. O nome, sozinho, não determina o porte nem obriga que a participação seja por convite. Escolha de acordo com o objetivo e o tempo reservado para exposição e debate.
O que é uma mesa-redonda em um evento e qual é a sua dinâmica?
É uma discussão de um tema por um grupo de especialistas, com moderação. A organização define o número de participantes, o tempo das falas e a participação da plateia. Não há uma quantidade universal de debatedores nem uma regra única para as perguntas. Veja o protocolo em nosso guia de mesa-redonda e mesa de honra.
O que fazer em um congresso?
Antes de ir, leia a programação e marque as sessões da sua linha de pesquisa e as conferências de abertura e encerramento. Durante o evento, apresente o seu trabalho, visite a sessão de pôsteres e converse com os autores, participe da assembleia se for associado e use os intervalos para conhecer quem publica no seu tema. Depois, guarde o certificado, confira se o seu trabalho saiu nos anais e registre a publicação no Lattes com a referência completa.
Quais são os formatos de congresso?
Pela abrangência, o congresso pode ser regional, nacional ou internacional. Pela modalidade, presencial, online ou híbrido, um formato que se consolidou depois de 2020 e ampliou a participação de quem não pode viajar. Pelo tipo de trabalho aceito, há congressos só de resumos, de resumos expandidos ou de trabalhos completos, e essa escolha define o que vai para os anais e o peso da publicação no currículo dos autores.
Organize o seu evento científico com a Galoá
Inscrições, submissões, revisão por pares, programação, aplicativo, certificados e anais com DOI, no mesmo fluxo, seja o evento um congresso, um simpósio ou uma jornada.
Falar com um especialistaReferências
- Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), Pró-Reitoria de Extensão (2020). Quadro: classificação e definições de eventos de extensão universitária. https://www.unifal-mg.edu.br/extensao/wp-content/uploads/sites/96/2020/08/classifica%C3%A7%C3%A3o-de-evento.pdf
- Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Guia de Eventos: tipos de eventos. https://www.ufsm.br/comunicacao/guiaeventos/tipos-de-eventos-2
- Lisée, C.; Larivière, V.; Archambault, É. (2008). Conference proceedings as a source of scientific information: A bibliometric analysis. Journal of the American Society for Information Science and Technology. https://doi.org/10.1002/asi.20888
- Hauss, K. (2020). What are the social and scientific benefits of participating at academic conferences? Insights from a survey among doctoral students and postdocs in Germany. Research Evaluation. https://doi.org/10.1093/reseval/rvaa018
- Oester, S.; Cigliano, J. A.; Hind-Ozan, E. J.; Parsons, E. C. M. (2017). Why Conferences Matter: An Illustration from the International Marine Conservation Congress. Frontiers in Marine Science. https://doi.org/10.3389/fmars.2017.00257
- Sarabipour, S.; Khan, A.; Seah, Y. F. S.; Mwakilili, A. D.; Mumoki, F. N.; Sáez, P. J.; Schwessinger, B.; Debat, H. J.; Mestrovic, T. (2021). Changing scientific meetings for the better. Nature Human Behaviour. https://doi.org/10.1038/s41562-021-01067-y
- Rowe, N. (2017). Tracing the 'grey literature' of poster presentations: a mapping review. Health Information & Libraries Journal. https://doi.org/10.1111/hir.12177
- Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB) (2026). CBEB 2026: palestrantes e dinâmica dos painéis. https://sbeb.org.br/cbeb2026/palestrantes-2/