O tema que o CEDESS escolheu para os seus 30 anos
O CEDESS, Centro de Desenvolvimento do Ensino Superior em Saúde da UNIFESP, campus São Paulo, completou 30 anos em 2026. O centro reúne pesquisa e formação docente e realizou dez edições do seminário internacional ao longo dessas três décadas.
A edição comemorativa teve como tema Formação Docente em Saúde: Educação Antirracista, Equidade e Inclusão.
O tema também aparece nos trabalhos apresentados. Dos 56 trabalhos publicados nos anais, 26 tratam de educação antirracista, equidade, letramento racial ou saúde da população negra. Quase metade dos trabalhos publicados. São trabalhos como “Quando o currículo silencia: reflexões sobre educação antirracista na formação dos profissionais de saúde”, “Coletivo NEGREX e a construção da educação antirracista em saúde” e “Caminho da (re)existência: analisando o itinerário social do homem negro transexual”.
O seminário teve 251 inscrições e foi conduzido por uma equipe enxuta, com a coordenação geral acumulada pela própria coordenadora do centro e sem secretaria de eventos dedicada. A plataforma apoiou essa equipe durante a organização e manteve os trabalhos disponíveis para consulta depois dos quatro dias de programação.
O que a coordenação parou de carregar sozinha
A Galoá entrou como a infraestrutura científica do seminário: chamada de trabalhos, avaliação pela comissão científica, inscrições, credenciamento, certificados e a publicação dos anais.
Menos dúvidas de autores por e-mail
Segundo a coordenação, a gestão de trabalhos organizou a alocação das submissões, simplificou o processo para os autores e reduziu bastante as dúvidas por e-mail.
A comissão científica conduziu a avaliação dentro da plataforma, e 56 trabalhos foram aprovados e publicados nos anais.
Credenciamento que a própria equipe operou
O credenciamento presencial usou autocredenciamento com QR code. A própria equipe operou o credenciamento, um dos pontos elogiados pela coordenação na avaliação de fechamento.
Certificados emitidos pela coordenação, sem intermediário
A emissão de certificados transcorreu sem problema técnico e foi feita pela própria equipe do centro, apoiada nas perguntas frequentes e nos vídeos tutoriais, usados de forma constante ao longo do projeto.
Na avaliação de fechamento do projeto, ela descreveu o suporte como algo que ensinou a equipe a resolver, em vez de resolver por ela. No depoimento, o que ela destaca é o cuidado: “Todo o cuidado que nós recebemos de toda a equipe, para que o nosso evento pudesse chegar até as pessoas”. E o acompanhamento do começo ao fim: “Fundamental pela relação de confiança, fundamental pela qualidade da plataforma, fundamental pelo apoio, desde a primeira concepção até a finalização, o pós-evento.”
O que fica depois que o seminário acaba
Os 56 trabalhos do X Seminário Internacional do CEDESS estão publicados em acesso aberto no proceedings.science, o acervo de anais da Galoá, buscáveis por título, autor e palavra-chave. Sem login, sem paywall, sem precisar ter estado lá. Quem procurar hoje por letramento racial na formação em saúde encontra o que foi discutido em São Paulo em junho de 2026, com o nome de quem discutiu.
É aqui que a avaliação da coordenadora sai do terreno do software e entra no da identidade do centro:
“Quero destacar, apesar de importante, toda a estética, toda a leveza, toda a interface absolutamente amigável da plataforma. Mas o quanto ter um repositório em que os trabalhos apresentados permanecem, que os autores estão presentes, que as autoras estão presentes, marca o jeito CEDESS de ser. Que é um jeito de aprendizagem compartilhada, de criação, de ética, de cuidado, de uma formação dialógica.”
Na fala da coordenadora, preservar a autoria faz parte do compromisso do centro com a formação docente. E num debate sobre educação antirracista, quem assina o trabalho é parte do argumento. Um repositório em que quem apresentou continua nominalmente presente faz o seminário seguir ensinando depois de encerrado.
O acesso aberto permite que pessoas que não participaram do seminário consultem os trabalhos e conheçam esse debate. O acervo complementa o alcance das transmissões e mantém a produção disponível depois do encontro. “Uma ampliação dos lugares em que a gente pode chegar com o CEDESS, com os saberes e com as práticas de todos e todas as pessoas que aqui estiveram conosco”, resume a coordenadora.
Os resultados
- 26 dos 56 trabalhos publicados tratam do tema do seminário: educação antirracista, equidade, letramento racial e saúde da população negra
- 56 trabalhos avaliados pela comissão científica e publicados em acesso aberto no acervo proceedings.science, buscáveis e com autoria preservada
- 251 inscrições completas na décima edição do seminário internacional do centro
- Credenciamento presencial operado pela própria organização, com autocredenciamento por QR code
- Certificados emitidos pela equipe do centro, sem depender de intermediário
- Nota média de recomendação de 9,62 em 10 para o seminário e 9,47 em 10 para a plataforma, entre os participantes que responderam na emissão dos certificados
Ao mencionar a próxima edição, prevista para 2028, ela já marca a próxima edição: “Estaremos juntos no décimo primeiro seminário, em 2028.” E fecha com o que uma coordenadora de centro de pesquisa entende por resultado: “Muita alegria de termos um espaço de divulgação científica, que é também um espaço de co-construção e de autoria.”