História do Currículo Lattes: O que é e por que usar?
· Equipe Galoá Science
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O que é o Currículo Lattes, como o CNPq criou a Plataforma Lattes, para que ela serve e quem foi o físico César Lattes, que dá nome a ela.
Em resumo
O Currículo Lattes é o currículo acadêmico padrão do Brasil, mantido pelo CNPq na Plataforma Lattes desde 1999, e reúne formação, produção científica e atuação profissional de estudantes e pesquisadores. O nome homenageia o físico César Lattes, e o currículo é exigido por agências de fomento e programas de pós-graduação para avaliar bolsas, projetos e seleções.
O que é o Currículo Lattes e para que serve?
O Currículo Lattes é o registro padronizado da formação, da produção científica e da atuação profissional de estudantes e pesquisadores. Mantido pelo CNPq, ele é usado na avaliação de bolsas, projetos e seleções acadêmicas. A Plataforma Lattes integra currículos, grupos de pesquisa e instituições em um único ambiente.1
Isso acontece porque a Plataforma Lattes foi desenvolvida e é mantida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão ligado ao Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), um dos principais fomentadores da pesquisa brasileira.
Devido à organização dos dados que o sistema oferece, segundo o site do CNPq, a análise do Currículo Lattes também é utilizada por outros órgãos de fomento estaduais e federais para oferecer bolsas de pesquisa, como é o caso da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e outras agências.
Instituições federais e estaduais de ensino e pesquisa também avaliam os currículos em processos seletivos de pós-graduações, além da avaliação geral dos dados poder colaborar nas políticas públicas focadas em ciência, tecnologia e inovação, motivo pelo qual é tão importante que todos os pesquisadores brasileiros tenham um Currículo Lattes cadastrado e o mantenha atualizado.
Hoje em dia é bem comum que alunos de graduação sejam incentivados por seus professores a criarem suas contas na plataforma ainda em seus primeiros anos de faculdade, adiantando procedimentos no caso de, futuramente, eles desejarem começar uma pesquisa de iniciação científica ou ainda ingressarem em alguma pós-graduação, já que o Currículo Lattes exigido por agências de fomento no momento de pleitear uma bolsa e por instituições que oferecem programas de mestrado e doutorado.
Ao disponibilizar as informações sobre os pesquisadores e as instituições na internet, por meio da Plataforma Lattes, o CNPq justifica que também está agindo com transparência e confiabilidade de suas ações e demais agências fomentadoras, além de possibilitar que os currículos sejam pesquisados para promover mais intercâmbios de conhecimento e “preservar a memória da atividade de pesquisa no país”.
Se você pretende entrar ou permanecer no meio acadêmico, não esqueça de criar seu Currículo Lattes e mantê-lo atualizado.
Qual é a história do Currículo Lattes?
O Currículo Lattes foi lançado em 1999, após iniciativas do CNPq de padronizar registros de pesquisadores desde os anos 1980. A trajetória passou de formulários em papel a cadastros eletrônicos, até chegar à plataforma.2
Essa padronização inicial era feita por um formulário padrão em papel de registro dos currículos, os quais seriam usados para avaliações curriculares e geração de estatísticas para compreender como ocorre a pesquisa científica no país, porém, o CNPq aponta que antes a busca era feita pela rede BITNET (anterior à internet brasileira) e contava com aproximadamente 30 mil currículos.2
Com o passar dos anos, a tecnologia evoluiu e a forma de cadastro dos currículos também. Até que em 1999 foi lançada a Plataforma Lattes eletrônica, posicionando o Brasil como referência na área de catalogação de dados sobre pesquisadores, com o software sendo licenciado gratuitamente para outros países, como Colômbia, Chile, Argentina, Equador, Peru, Portugal e Moçambique.
Linha do tempo da Plataforma Lattes, conforme o histórico publicado pelo CNPq.2
| Período | Marco |
|---|---|
| Meados dos anos 1980 | O CNPq adota um formulário padrão em papel e cria o Banco de Currículos |
| Fim dos anos 1980 | Busca de currículos pela rede BITNET, com cerca de 30 mil registros |
| Anos 1990 | Formulário eletrônico BCUR (para DOS, depois Windows) e Cadastro Nacional de Competência em Ciência e Tecnologia (CNCT) |
| Agosto de 1999 | O CNPq lança e padroniza o Currículo Lattes como formulário de currículo do Ministério da Ciência e Tecnologia |
| 2002 | Rede ScienTI, com Bireme/OPAS; o software é licenciado gratuitamente a Colômbia, Equador, Chile, Peru, Argentina, Portugal e Moçambique |
| 2005 | Comissão de avaliação para aprimoramento contínuo da plataforma |

Legenda: O físico César Lattes em sala de aula
Por que o currículo se chama Lattes?
O nome homenageia o físico brasileiro César Lattes, conhecido por sua participação na descoberta do méson pi. Lattes é um sobrenome, não uma expressão latina como curriculum vitae.3 O currículo padroniza o registro da trajetória acadêmica, como discute o artigo “Organização do currículo: plataforma Lattes”.4
Entre tantos projetos, Lattes é mais conhecido pela descoberta do méson π ou píon, uma partícula localizada entre o elétron e o próton que trouxe avanço para o conhecimento da estrutura atômica e para os estudos de radiação.6
O pesquisador foi incentivado pelo físico dinamarquês Niels Bohr a ir para Berkeley, na Califórnia. Lá ele descobriu que o acelerador de partículas do Laboratório de Radiações de Berkeley tinha energia para bombardear átomos de carbono para produzir mésons π. Com isso, o físico conquistou repercussão internacional, sendo um dos brasileiros mais consagrados no mundo científico.
A homenagem de Lattes para o currículo acadêmico brasileiro mais popular não se deu somente por esse reconhecimento internacional. César Lattes também ficou conhecido como um dos incentivadores da criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), fundado em 1949,7 junto com José Leite Lopes e outras personalidades cariocas, segundo relata a professora Amélia Hamburger em artigo da Revista USP.5
César Lattes também passou por diversas universidades e instituições nacionais e internacionais, firmando parcerias importantes para o Brasil na área de física, como seus projetos na estação metereológica de Chacaltaya, com cerca de 5 mil metros de altitude na Bolívia, onde estudou radiação cósmica, ou a colaboração Brasil-Japão iniciada na Universidade de São Paulo (USP) na busca por conhecimento sobre interações e emulsões nucleares, que segundo Hamburger deixou legado e a parceria dura até hoje na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), instituição onde também colaborou desde a edificação do Instituto de Física e na criação do laboratório de Síncrotron.

O que mais a Plataforma Lattes oferece além do currículo?
Além dos currículos, a Plataforma Lattes integra dados de grupos de pesquisa e instituições. Esses registros apoiam consultas e análises sobre a atividade científica e a gestão de recursos de pesquisa.1
Essas análises são possíveis porque a Plataforma oferece um serviço chamado de Lattestats, o que possibilita a filtragem de dados para compreender melhor o status quo da ciência, tecnologia e inovação brasileira.
Ter acesso a essas informações colabora em mais reflexões, pesquisas e implementação de políticas públicas na área. Você consegue acessar todos os gráficos no Painel Lattes.
A Plataforma ainda oferece o serviço Lattes Extrator para que instituições reconhecidas possam fazer uma busca mais apurada dos dados. Para utilizar essa ferramenta é necessário fazer uma solicitação formal, sendo que em documento do CNPq é alertado que o acesso é fornecido apenas para:
- Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT);
- Instituição de ensino superior;
- Agências de fomento à pesquisa, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; e
- Órgãos e as entidades da administração pública federal direta e indireta e as demais entidades
- Controladas direta ou indiretamente pela União, conforme previsto no Decreto nº 8.789/2016;
Interessou-se pela riqueza de informações que se pode obter e porquê é interessante que todos os pesquisadores tenham seus currículos acadêmicos armazenados? Então não deixe de explorar a ferramenta e manter seu currículo atualizado.
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Perguntas frequentes
O que é o Currículo Lattes?
É o registro padronizado da trajetória acadêmica e profissional de um pesquisador, mantido pelo CNPq na Plataforma Lattes. Nele ficam formação, projetos, orientações, artigos, trabalhos em anais de eventos, patentes, prêmios e vínculos institucionais. Como o formato é o mesmo para todos, agências de fomento e universidades conseguem comparar candidatos e avaliar pedidos de bolsa e de financiamento.
O que significa Currículo Lattes e por que tem esse nome?
Lattes não é uma expressão latina: é o sobrenome do físico brasileiro César Lattes (1924-2005), que participou da descoberta do méson pi e ajudou a criar o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. O CNPq deu o nome dele à plataforma e ao currículo em homenagem a essa trajetória.
Quem precisa ter um Currículo Lattes?
Qualquer pessoa que atue ou pretenda atuar em pesquisa no Brasil: estudantes de graduação que buscam iniciação científica, candidatos a mestrado e doutorado, professores e pesquisadores. O currículo costuma ser exigido em seleções de pós-graduação, em pedidos de bolsa ao CNPq, à CAPES e às FAPs estaduais e em concursos para docente.
Currículo Lattes é o mesmo que curriculum vitae?
Não. O curriculum vitae comum é um documento livre, feito para vagas de emprego, e cada pessoa escolhe o formato. O Currículo Lattes tem estrutura fixa, definida pelo CNPq, fica público na internet e é voltado à vida acadêmica: registra produção científica com dados completos, como DOI e ISSN, que permitem a verificação das publicações.
Como criar um Currículo Lattes?
O cadastro é gratuito e feito diretamente no site da Plataforma Lattes (lattes.cnpq.br), na opção de cadastrar um novo currículo, com CPF e dados pessoais. Depois de criado, preencha formação, atuação e produção, e mantenha o currículo atualizado, porque a data da última atualização aparece no topo da página pública e é levada em conta nas avaliações.
Referências
- Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) Plataforma Lattes. https://www.gov.br/cnpq/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/plataforma-lattes
- Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) Histórico da Plataforma Lattes. https://memoria.cnpq.br/web/portal-lattes/historico
- Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) Césare Giulio Lattes. https://memoria.cnpq.br/web/portal-lattes/cesare-giulio-lattes
- Amorin, C. V. (2003). Organização do currículo: plataforma Lattes. Pesquisa Odontológica Brasileira. https://doi.org/10.1590/S1517-74912003000500004
- Hamburger, A. I. (2005). Cesar Lattes, físico brasileiro. Revista USP. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9036.v0i66p132-138
- Marques, A. (2005). Reminiscências de César Lattes. Revista Brasileira de Ensino de Física. https://doi.org/10.1590/S1806-11172005000300025
- Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) (2026). CBPF celebra 77 anos de ciência, ideias e futuro. https://www.gov.br/cbpf/pt-br/assuntos/noticias/cbpf-celebra-77-anos-de-ciencia-ideias-e-futuro